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A educação é um ato político - 100 anos de Paulo Freire.

  • 1 de out. de 2021
  • 3 min de leitura

A título de observação, este texto foi escrito para a disciplina de Introdução ao Ambiente Virtual do curso de Especialização no Ensino de Sociologia para o Ensino médio da UFSJ e discute o conceito de educação libertadora a partir das ideias de Paulo Freire.

A educação libertadora carrega consigo a concepção de que a educação é um ato político. Ou seja, ser educador significa planejar e estruturar sua prática de maneira a libertar os seres humanos oprimidos de suas amarras. Para isso, o educador não pode assumir a máxima de que é


o único detentor do saber e o responsável pela iluminação e salvação das mentes ainda em formação.

A prática libertadora de pensar e agir sobre a educação pressupõe a participação ativa dos educandos no processo de ensino aprendizagem. Isto significa dizer que o educador não deve depositar o conhecimento na cabeça dos jovens, como se fossem gavetas nas quais o conhecimento deve ser registrado e arquivado de maneira passiva. Essa forma de educação em que ao educando não é permitida a participação em seu processo de apreensão do conhecimento, domestica-o e auxilia no preparo de sua subserviência no mundo social. Essa forma de ação pedagógica serve para a reprodução social, naturalizando as relações desiguais e garantindo a manutenção do status quo. Sobre essa prática, Paulo Freire (1982) escreveu:


Em lugar de comunicar-se, o educador faz “comunicados” e depósitos qu e os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los.


Como se nota, dentro desta perspectiva a divisão entre educador e educando é estruturada de maneira a não aproximá-los, posto que o educador deve professar a verdade - inclusive sem a oportunidade de indagação acerca de seu posicionamento - e o educando guardar o conhecimento sob sete chaves para, no máximo, reproduzi-lo em concursos públicos ou em prol da manutenção da ordem social ao tornar-se mais um que gira a engrenagem.

No modelo de educação bancária aqueles que não aceitam qualquer resposta, que reivindicam parte do processo educativo, que desafiam as verdades propagadas ou a forma como o educador trabalha são vistos como: desajustados, rebeldes, indisciplinados, etc. Sobre eles, a escola deve exercer um papel punitivo e corretor. A partir deste modelo o educando não pode se ver como cidadão e sujeito construtor de sua história com os Outros.


Assim é que, enquanto a prática bancária, como enfatizamos, implica uma espécie de anestesia, inibindo o poder criador dos educandos, a educação problematizadora, de caráter autenticamente reflexivo, implica num constante ato de desvelamento da realidade. A primeira pretende manter a imersão; a segunda, pelo contrário, busca a emersão das consciências, de que resulte a inserção crítica na realidade. (FREIRE, p. 80)


Como se percebe, a educação libertadora não pressupõe o saber apenas do educador, mas uma relação dialógica onde existe aquilo que Paulo Freire chama de educador-educando e educando-educador. Baptista e Pereira escreveram que a educação “libertadora deve ser dialógica, problematizadora e reforçar no educando o ato de refletir, de criticar, de idealizar, de questionar e de ser autônomo” (2016, p. 03). Ou seja, a prática que liberta deixa que os educandos participem ativamente de seu processo educativo e exercem a criticidade e a capacidade de construir novas ideias e formas de organizar a sociedade, não apenas sendo espectadores da mesma, mas participantes de seu processo.


FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

BAPTISTA, Maria das Graças de Almeida & PEREIRA, Aline dos Santos. A educação libertadora de Paulo Freire e a escola sem partido. IX Colóquio Internacional Paulo Freire, 2016.

 
 
 

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