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Recorte Acerca do Racismo na História do Brasil.

  • 20 de abr. de 2017
  • 3 min de leitura

O mundo moderno trouxe o pensamento científico como forma de pensar e possível base para agir sobre a realidade. Muitas teorias foram construídas e ajudando a compreender porque as coisas aconteciam. No século XIX, Charles Darwin desenvolveu a teoria da evolução das espécies, que revolucionou as ciências naturais.

Porém, como o ser humano tem suas belezas, alguns pensadores, tal como Herbert Spencer, buscaram transpor sua teoria para a compreensão da evolução humana. O interesse de muitos era provar a diferença e, para muitos, a superioridade moral e intelectual, da “raça” branca. Essas teorias vinham de encontro à necessidade de justificar a exploração do continente americano e africano. Afinal, o mais apto e capaz de construir um mundo civilizado seria o europeu, povo de raça branca.

Tais teorias não demoraram para atravessar os oceanos e chegar até o Brasil. O francês Arthur de Gobineau, que viveu certo tempo no Brasil, desenvolveu uma teoria onde os negros não teriam nem a capacidade de agir moralmente, pois sua moralidade seria débil. Segundo ele, o projeto de civilização brasileira estaria fadado ao fracasso devido a grande quantidade de negros e mestiços.

No Brasil, os intelectuais e cientistas do período também buscaram compreender o processo de formação brasileira e as possibilidades de evolução de nosso povo. Pautado nas teorias evolucionistas do período, Nina Rodrigues, médico e pesquisador baiano escreveu textos sobre a diferenciação das raças que compunham a humanidade e ajudou na divulgação do racismo. Por trás de uma pseudociência, escreveu que seria imperdoável pensar que negros, índios e mestiços poderiam chegar ao grau de evolução mental de um branco. Em suas palavras:


"A concepção espiritualista de uma alma da mesma natureza em todos os povos, tendo como conseqüência uma inteligência da mesma capacidade em todas as raças, apenas variável no grau de cultura e passível, portanto, de atingir mesmo num representante das raças inferiores, o elevado grau a que chegaram as raças superiores, é uma concepção irremessivelmente condenada em face dos conhecimentos científicos modernos" (Rodrigues, 1957, p.28).


Como se vê, Nina Rodrigues utilizava do poder de falar em nome da ciência moderna para justificar as desigualdades sociais. Em seu pensamento as diferenças entre os povos representavam desigualdades intelectuais, simbólicas, econômicas, morais, etc. Ou seja, não seria cabível cobrar os negros de desenvolver uma civilização melhor se sua natureza era inferior à branca. Essa concepção exala aquilo que chamamos de determinismo biológico, que é acreditar que as características morais, culturais, pessoais, etc. de um ser humano é fruto de sua biologia. Por esse ponto de vista, os problemas sociais estavam ligados a problemas genéticos e, não é por acaso que em muitos países começou-se a desenvolver políticas de extermínio, marginalização, encarceramento e esterilização de indesejáveis sociais.

Nina Rodrigues não era o único a determinar que as raças ou diferenças humanas eram um fatos para as desigualdades, outros intelectuais do período também desenvolveram, a sua maneira, formas de propagar ideias racistas e pensar os caminhos da “civilização” brasileira, entre eles estão Sílvio Romero (1851-1914), Euclides da Cunha (1866-1909) e Oliveira Vianna (1883-1951). Essas interpretações que apoiam ideias racistas hoje são refutadas pela Antropologia, Sociologia e outras ciências. No livro Sociologia para Jovens do Século XXI


"O racismo em nosso país é acompanhado de uma série de ideias preconcebidas sem a menor base de apoio aos fatos históricos, razões coerentes e ética humana. Em relação às razões coerentes, podemos citar a pesquisa Projeto Genoma Humano que afirma não haver, biologicamente, diferenças raciais entre os humanos. Foi constatado nessa pesquisa que a diferença de uma pessoa para a outra é de pouco mais de 0,01%. Isso significa que somos 99,99% idênticos do ponto de vista biológico. Portanto, não se justifica mais qualquer argumento dizendo que existem seres humanos inferiores ou superiores devido à cor de pele, formato do nariz, tipo de cabelo ou tipo físico".


Embora este texto seja o primeiro de uma ideia em comentar as concepções criadas sobre o povo brasileiro, vale a finalização como feita, ressaltando que o racismo não se pauta em verdades científicas. E, para brindar, fica uma charge de Kadinho sobre algumas formas como o racismo se expressa no Brasil. Será que a situação abaixo tem a ver com a história brasileira? Tem ligação com o ideário sobre os afrobrasileiros desde o período da escravidão? Se quiser responda e envie suas ideias para nós.


 
 
 

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